O ruído é um dos riscos ambientais mais onipresentes nas indústrias e canteiros de obras em todo o mundo. Muitas vezes invisível e subestimado, o som excessivo pode causar danos irreversíveis à saúde do trabalhador. É nesse cenário que os protetores auriculares assumem um papel de protagonismo na segurança do trabalho.
Não se trata apenas de cumprir uma norma regulamentadora; trata-se de preservar um dos sentidos mais vitais do ser humano: a audição. Para empresas que buscam excelência em Medicina Ocupacional e segurança, entender a fundo a funcionalidade, os tipos e a gestão desses Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) é obrigatório.
Neste artigo, a Itamedi detalha tudo o que você precisa saber sobre a proteção auditiva, desde a prevenção de patologias até a escolha correta do equipamento para a sua equipe.
Boa Leitura!
Entendendo o risco do ruído
Antes de falarmos sobre a solução, precisamos compreender o problema. O ruído ocupacional não gera apenas desconforto momentâneo. A exposição contínua a níveis elevados de pressão sonora atua de forma cumulativa no organismo.
O principal risco associado é a PAIR (Perda Auditiva Induzida por Ruído). Diferente de um acidente típico que causa uma lesão imediata e visível, a PAIR ocorre silenciosamente, ao longo dos anos. Ela é neurossensorial e, infelizmente, irreversível.
Além da perda auditiva, o ruído excessivo sem o uso de protetores auriculares adequados pode desencadear:
- Zumbido constante (tinnitus);
- Aumento do estresse e da irritabilidade;
- Distúrbios do sono e fadiga crônica;
- Elevação da pressão arterial e problemas cardiovasculares;
- Redução da concentração, aumentando o risco de outros acidentes de trabalho.
O que são Protetores Auriculares e qual sua função?
Os protetores auriculares são dispositivos desenhados para serem usados no canal auditivo ou sobre as orelhas, com o objetivo de reduzir o nível de pressão sonora que atinge o sistema auditivo. Eles funcionam como uma barreira física que atenua as ondas sonoras.
A função primordial desse EPI não é “bloquear” totalmente o som — o que poderia isolar o trabalhador e impedir que ele ouça alertas de segurança —, mas sim reduzi-lo a níveis de tolerância seguros, conforme estipulado pelas normas de segurança.
Nota Técnica: A eficácia de um protetor é medida pelo seu Nível de Redução de Ruído (NRRsf). Quanto maior o ruído do ambiente, maior deve ser a capacidade de atenuação do protetor.
Legislação e Normas Regulamentadoras (NRs)
No Brasil, o uso de EPIs é regido por normas rígidas que protegem tanto o empregador quanto o empregado.
NR-6: Equipamento de Proteção Individual
Esta norma define que a empresa é obrigada a fornecer aos empregados, gratuitamente, EPI adequado ao risco, em perfeito estado de conservação e funcionamento. No caso dos protetores auriculares, o fornecimento é compulsório sempre que as medidas de ordem geral (como enclausuramento de máquinas) não ofereçam completa proteção contra os riscos.
NR-15: Atividades e Operações Insalubres
A NR-15 estabelece os limites de tolerância para ruído contínuo ou intermitente. Por exemplo, para uma jornada de 8 horas, o nível máximo permitido sem proteção é de 85 dB(A).
- Se o ambiente possui 90 dB(A), o tempo de exposição permitido cai drasticamente para 4 horas.
- Para que o colaborador possa trabalhar 8 horas nesse ambiente de 90 dB(A), é obrigatório o uso de protetores auriculares que atenuem o ruído para baixo do limite de 85 dB(A).
Tipos de Protetores Auriculares: Características e Aplicações
Não existe um “melhor protetor” universal. Existe o protetor mais adequado para cada situação, anatomia e nível de ruído. Basicamente, dividimos os protetores em dois grandes grupos: inserção (plugs) e concha (abafadores).
1. Protetor Auricular Tipo Plug (Inserção)
São aqueles introduzidos diretamente no canal auditivo. São leves, compatíveis com outros EPIs (como óculos e capacetes) e ideais para ambientes quentes, pois não esquentam as orelhas.
Existem três variações principais:
- Espuma Moldável (Descartável):
- Como funciona: O usuário comprime a espuma, insere no canal e ela se expande, vedando o ouvido.
- Vantagens: Geralmente oferece alta atenuação e se adapta a diferentes formatos de canais auditivos. É higiênico, pois é descartado após o uso.
- Indicação: Visitantes ou áreas onde a higiene do protetor reutilizável seria difícil.
- Silicone ou Polímero (Reutilizável):
- Como funciona: Possui flanges (abas) que vedam o canal.
- Vantagens: Custo-benefício a longo prazo, lavável e durável.
- Indicação: Uso diário em ambientes industriais comuns. Exige disciplina na higienização.
- Moldado (Personalizado):
- Como funciona: Feito sob medida com a impressão do canal auditivo do trabalhador.
- Vantagens: Conforto extremo e vedação perfeita.
2. Protetor Auricular Tipo Concha (Abafador)
Semelhante a um “fone de ouvido” grande (headset), composto por duas conchas revestidas de espuma e interligadas por um arco.
- Vantagens:
- Fácil colocação e retirada (ideal para ruído intermitente).
- Menor risco de infecção no canal auditivo, pois não é intrusivo.
- Geralmente oferece maior atenuação em baixas frequências.
- Difícil de perder.
- Desvantagens: Pode ser desconfortável em ambientes muito quentes ou interferir no uso de óculos e capacetes se não for um modelo acoplável.
- Indicação: Operadores de máquinas pesadas, ambientes de construção civil, aeroportos e locais com ruído altíssimo.
Como escolher o EPI ideal para sua empresa?
A escolha dos protetores auriculares não deve ser baseada apenas no preço. A Medicina Ocupacional e a Engenharia de Segurança do Trabalho devem atuar juntas nessa seleção. Considere os seguintes fatores:
1. Nível de Atenuação Necessário
O primeiro passo é realizar uma dosimetria de ruído no local. Se o ambiente tem 100 dB e o limite é 85 dB, você precisa de um protetor que atenue, no mínimo, 15 dB (com margem de segurança). Cuidado: A superproteção também é um risco. Isolar demais o trabalhador pode impedir a comunicação e a percepção de sinais sonoros de perigo.
2. Compatibilidade com a Tarefa
Se o trabalhador precisa colocar e tirar o protetor várias vezes ao dia (ruído intermitente), o tipo concha é mais prático. Se o uso é contínuo por horas, o tipo plug de espuma ou silicone pode ser mais leve.
3. Conforto e Aceitação
O melhor EPI é aquele que o funcionário realmente usa. Se o protetor machuca ou incomoda, o trabalhador tende a retirá-lo ou usá-lo incorretamente. Realizar testes práticos com a equipe é fundamental para garantir a adesão.
4. Fatores Ambientais
Em ambientes com muita poeira, graxa ou sujeira nas mãos dos operadores, o protetor de inserção (plug) pode levar contaminação para dentro do ouvido, causando otites. Nesses casos, o tipo concha é mais higiênico.
Higienização, Manutenção e Vida Útil
A durabilidade e a eficácia dos protetores auriculares dependem diretamente dos cuidados diários. Treinar a equipe sobre isso é parte essencial do PCA (Programa de Conservação Auditiva).
Para Protetores de Silicone (Plug):
- Devem ser lavados diariamente com água e sabão neutro após o uso.
- Devem secar à sombra naturalmente.
- Devem ser guardados em estojo fechado para evitar contato com sujeira.
- Troca: Geralmente a cada 3 ou 4 meses, ou assim que apresentarem rigidez ou deformação nas flanges.
Para Protetores de Espuma (Plug):
- Não devem ser lavados. A água danifica a capacidade de expansão da espuma.
- São descartáveis. Devem ser trocados diariamente ou conforme a política da empresa (máximo 2 dias se não houver sujeira excessiva).
Para Protetores Tipo Concha:
- Limpar as partes externas com pano úmido.
- Verificar as almofadas de vedação regularmente. Se estiverem rígidas ou rasgadas, devem ser substituídas (muitos modelos vendem o kit de reposição).
- A troca do abafador completo ocorre geralmente anualmente ou conforme desgaste do arco.
O Papel da Medicina Ocupacional e o PCA
Fornecer o EPI é apenas a ponta do iceberg. Para garantir a saúde auditiva, a empresa deve implementar o PCA (Programa de Conservação Auditiva).
Este programa envolve um conjunto de medidas coordenadas, que incluem:
- Monitoramento da exposição ao ruído;
- Controle coletivo (engenharia para reduzir o ruído na fonte);
- Seleção e fornecimento adequado de protetores auriculares;
- Exames audiométricos periódicos (para monitorar se está havendo perda auditiva mesmo com o uso do EPI);
- Treinamento e educação continuada dos trabalhadores.
A Itamedi Medicina Ocupacional atua fortemente no suporte às empresas para a implementação dessas diretrizes. A realização de exames admissionais, periódicos e demissionais com foco em audiometria é a única forma de comprovar legalmente que os EPIs estão sendo eficazes e que a saúde do colaborador está preservada.
Uso dos Protetores Auriculares são fundamentais.
Os protetores auriculares são ferramentas indispensáveis na luta contra a perda auditiva ocupacional. No entanto, sua eficácia depende de uma escolha técnica correta, do uso disciplinado por parte do trabalhador e de uma gestão de saúde ocupacional ativa por parte da empresa.
Ignorar o ruído é abrir portas para processos trabalhistas e, pior, para a deterioração da qualidade de vida de quem constrói o sucesso do seu negócio. Proteja sua equipe e garanta a conformidade legal da sua empresa.
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