Proteção respiratória no trabalho: tipos de máscaras e quando usar.

Máscaras respiratórias - EPI

No ambiente de trabalho, muitos riscos são invisíveis a olho nu. Poeiras finas, névoas tóxicas, fumos metálicos, gases e vapores químicos são ameaças silenciosas que, dia após dia, podem minar a saúde dos trabalhadores, levando a doenças respiratórias graves e, em muitos casos, irreversíveis.

A exposição a esses agentes pode causar desde irritações passageiras até condições crônicas como a silicose (causada pela sílica), asbestose (amianto), pneumoconiose dos mineiros de carvão e diversas Doenças Pulmonares Ocupacionais (DPO).

É neste cenário que a proteção respiratória deixa de ser um acessório e se torna uma barreira vital. As máscaras respiratórias – EPI (Equipamento de Proteção Individual) são a última e mais crucial linha de defesa quando as medidas de proteção coletiva não são suficientes para eliminar ou neutralizar o risco no ar.

Contudo, de nada adianta fornecer um equipamento se ele não for o correto para o risco específico. Usar uma máscara de poeira comum em um ambiente com vapores químicos é o mesmo que não usar nada.

Neste conteúdo completo, a Itamedi Medicina Ocupacional irá detalhar os diferentes tipos de máscaras respiratórias, os riscos contra os quais elas protegem e como selecionar o EPI correto para garantir um ambiente de trabalho verdadeiramente seguro.

A Importância da Proteção Respiratória na Saúde Ocupacional

O sistema respiratório é uma porta de entrada direta para o organismo. Diferente de um corte na pele, a inalação de um contaminante age de forma sistêmica e, muitas vezes, cumulativa.

O objetivo da saúde e segurança no trabalho (SST) não é apenas tratar o trabalhador doente, mas evitar que ele adoeça. A medicina ocupacional, especialidade da Itamedi, atua fortemente na prevenção, e a correta indicação de EPIs é um pilar dessa atuação.

Legalmente, a responsabilidade é clara. A Norma Regulamentadora nº 6 (NR 6) define as obrigações do empregador quanto ao fornecimento gratuito, treinamento e fiscalização do uso dos EPIs. Mais do que isso, a seleção do equipamento deve ser técnica, baseada nos riscos identificados no PPRA (Programa de Prevenção de Riscos Ambientais) ou, mais atualmente, no PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos).

O Pilar Central: O Programa de Proteção Respiratória (PPR)

Antes de discutir os tipos de máscaras, é fundamental entender o conceito de Programa de Proteção Respiratória (PPR). No Brasil, ele é regulamentado pela Instrução Normativa nº 1, de 11 de abril de 1994, do Ministério do Trabalho e Emprego, e detalhado pela publicação “Programa de Proteção Respiratória – Recomendações, Seleção e Uso de Respiradores” da Fundacentro.

O PPR é um documento e um conjunto de ações obrigatórias para empresas onde o uso de máscaras respiratórias – EPI é necessário.

Ele estabelece que a simples entrega do EPI não é suficiente. O programa exige:

  1. Avaliação dos Riscos: Identificar quais contaminantes estão presentes no ar (poeira, gás, vapor, etc.) e em qual concentração.
  2. Seleção Correta: Escolher o respirador adequado para o contaminante e sua concentração.
  3. Treinamento: Ensinar o trabalhador a usar, inspecionar, guardar e higienizar (quando aplicável) o seu respirador.
  4. Teste de Vedação (Fit Test): Este é um dos pontos mais críticos e negligenciados. O PPR exige que seja feito um teste para garantir que a máscara escolhida se ajuste perfeitamente ao rosto do usuário, sem deixar frestas.
  5. Monitoramento e Saúde: Acompanhar a saúde respiratória dos usuários (através de exames como a espirometria) e a eficácia do programa.
  6. Uso de Barba: O PPR é claro ao proibir o uso de barba por usuários de respiradores com vedação facial (como PFF2 ou máscaras semifaciais), pois os pelos impedem o ajuste correto e anulam a proteção.

Sem um PPR bem implementado, a empresa corre o risco de estar fornecendo uma “falsa sensação de segurança” aos seus colaboradores.

Quando falamos de proteção respiratória, não basta apenas “entregar a máscara”. É preciso implementar um conjunto de medidas que garantam sua eficácia.

Entendendo os Riscos: O Que Estamos Filtrando?

Para escolher a máscara certa, primeiro precisamos saber contra o que estamos lutando. Os contaminantes do ar são divididos em duas grandes categorias:

1. Aerossóis (Particulados)

São partículas sólidas ou líquidas suspensas no ar.

  • Poeiras: Geradas pela ruptura mecânica de sólidos (ex: lixamento de madeira, corte de pedra, moagem de grãos).
  • Névoas: Partículas líquidas geradas por atomização ou condensação (ex: névoa de tinta spray, névoa de óleo lubrificante).
  • Fumos: Partículas metálicas muito finas geradas pela condensação de vapores de um metal aquecido (ex: fumos de solda).
  • Biológicos: Vírus, bactérias, fungos (ex: ambientes hospitalares, laboratórios).

2. Contaminantes Químicos (Gases e Vapores)

  • Gases: Substâncias que são gasosas à temperatura e pressão ambientes (ex: amônia, cloro, monóxido de carbono).
  • Vapores: A forma gasosa de substâncias líquidas ou sólidas em condições normais (ex: vapor de solvente de tinta, vapor de gasolina).

Atenção: Uma máscara para poeira (filtro mecânico) não protege contra gases (filtro químico), e vice-versa.

Os Principais Tipos de Máscaras Respiratórias (EPI)

Os respiradores são classificados em dois grandes grupos, baseados em seu princípio de funcionamento: Purificadores de Ar (que filtram o ar do ambiente) e de Adução de Ar (que fornecem ar limpo de uma fonte externa).

Grupo 1: Respiradores Purificadores de Ar (Filtram o Ambiente)

São os mais comuns no mercado e dependem da qualidade do ar ambiente (não podem ser usados em atmosferas IPVS – Imediatamente Perigosas à Vida ou à Saúde).

1. Peça Facial Filtrante (PFF) – Os “Descartáveis”

São as máscaras respiratórias – EPI onde a própria máscara é o filtro. Elas são leves, práticas e muito comuns. A classificação PFF (Peça Facial Filtrante) segue a norma brasileira (ABNT NBR 13698) e é dividida pela sua eficiência de filtragem:

  • PFF1 (S ou SL):
    • Eficiência Mínima: 80%
    • Uso: Proteção contra poeiras e névoas (aerossóis não oleosos – S; ou não oleosos e oleosos – SL).
    • Exemplos: Serralheria (pó de madeira), construção civil (poeira de cimento), oficinas (lixamento).
    • Não usar contra fumos ou contaminantes altamente tóxicos.
  • PFF2 (S ou SL):
    • Eficiência Mínima: 94%
    • Uso: Proteção contra fumos (como os de solda), poeiras, névoas e agentes biológicos.
    • Equivalência: É o equivalente brasileiro ao famoso N95 (padrão americano).
    • Exemplos: Indústria metalúrgica (solda), marmorarias (poeira de sílica, mas atenção à concentração), área da saúde (proteção contra vírus como Influenza ou Tuberculose).
  • PFF3 (S ou SL):
    • Eficiência Mínima: 99,7%
    • Uso: Proteção contra particulados altamente tóxicos (como amianto/asbesto), radionuclídeos e poeiras em altíssimas concentrações.
    • Exemplos: Trabalhos com remoção de amianto, indústrias farmacêuticas (manipulação de pós tóxicos).

Nota Importante: Muitas máscaras PFF2 e PFF3 vêm com uma válvula de exalação. Essa válvula facilita a respiração (liberando ar quente e úmido), mas não filtra o ar que sai. Portanto, em ambientes onde o usuário precisa proteger o ambiente (como centros cirúrgicos ou durante uma pandemia para não contaminar os outros), máscaras com válvula não devem ser usadas.

2. Respiradores com Filtros (Peça Reutilizável + Cartuchos/Filtros Trocáveis)

Aqui, a peça facial (que cobre nariz e boca ou o rosto inteiro) é reutilizável, e os filtros são trocados conforme o desgaste.

  • Peça Semifacial (ou “Quarto Facial”): Cobre nariz, boca e queixo.
  • Peça Facial Inteira (Full Face): Cobre todo o rosto, oferecendo também proteção para os olhos. Oferece um nível de vedação superior.

Nessas peças, encaixamos os filtros adequados:

  • Filtros Mecânicos (para Particulados): Similares aos PFF, mas em formato de “disco” ou “pad”. São classificados como P1, P2 e P3, com eficiência similar aos PFF1, PFF2 e PFF3.
  • Filtros Químicos (Cartuchos): Contêm carvão ativado (ou outro material adsorvente) tratado para reter contaminantes específicos.
    • Exemplos Comuns: Cartuchos para Vapores Orgânicos (VO) (ex: pinturas com solventes, manuseio de gasolina); Gases Ácidos (GA) (ex: cloro, dióxido de enxofre); Amônia, etc.
  • Filtros Combinados: São cartuchos que possuem tanto o filtro químico (carvão) quanto o filtro mecânico (P1, P2 ou P3) acoplado.
    • Uso: Essencial em atividades mistas, como pintura automotiva (spray), que gera tanto vapores do solvente (químico) quanto névoa da tinta (particulado).

Grupo 2: Respiradores de Adução de Ar (Fornecem Ar Limpo)

Estes são usados quando o ar do ambiente é irrespirável, seja pela baixíssima concentração de oxigênio (abaixo de 19,5%) ou pela altíssima concentração do contaminante (IPVS).

  • Máscara de Linha de Ar Comprimido: O trabalhador recebe ar limpo através de uma mangueira conectada a um compressor ou cilindros de ar respirável localizados em área segura.
    • Uso: Espaços confinados (NR 33), jateamento de areia, pintura industrial de grande porte.
  • Máscara Autônoma (Equipamento Autônomo de Respiração): O usuário carrega sua própria fonte de ar em um cilindro nas costas.
    • Uso: Situações de emergência, resgate, brigadas de incêndio e entrada em locais IPVS onde a mobilidade é necessária.

Diferença Crítica: Máscara Cirúrgica vs. Respirador (PFF2/N95)

Essa é uma das dúvidas mais comuns, especialmente após a pandemia de COVID-19.

  • Máscara Cirúrgica (Máscara de procedimento):
    • Função: Proteger o ambiente e o paciente das gotículas respiratórias do usuário (médico, dentista).
    • Vedação: É frouxa no rosto, com vãos laterais.
    • EPI? Não é considerada um EPI de proteção respiratória para o usuário contra aerossóis. Ela protege contra gotículas grandes (projeção).
  • Respirador PFF2 / N95:
    • Função: Proteger o usuário dos contaminantes do ambiente (poeira, fumos, vírus).
    • Vedação: É projetada para vedar hermeticamente contra o rosto.
    • EPI? Sim. É a máscara respiratória – EPI padrão para proteção contra aerossóis biológicos ou químicos (particulados).

Quando Usar Cada Tipo: Guia Rápido por Atividade

Risco / AtividadeContaminante PrincipalMáscara Recomendada (Exemplos)
Construção Civil (Corte, Lixamento)Poeiras (Cimento, Sílica)PFF1 ou PFF2 (S)
Marcenaria (Lixamento, Corte)Poeira de MadeiraPFF1 (S)
Solda (Aço Carbono / Inox)Fumos MetálicosPFF2 (SL) ou Semifacial com filtro P2/P3
Pintura (Pincel / Rolo)Vapores Orgânicos (Solvente)Semifacial com cartucho químico (VO)
Pintura (Pistola / Spray)Vapores (Solvente) + Névoa (Tinta)Semifacial com filtro combinado (VO + P1/P2)
Setor de Saúde (Risco Biológico)Aerossóis (Vírus, Bactérias)PFF2 (S) ou N95 (sem válvula)
Indústria Química (Manuseio de Amônia)Gás (Amônia)Semifacial ou Facial Inteira com cartucho (Amônia)
Espaço Confinado (Tanque)Deficiência de O2 / GasesRespirador de Adução de Ar (Linha de Ar ou Autônomo)
Limpeza com Produtos ÁcidosGases ÁcidosSemifacial com cartucho (Gases Ácidos)

Conclusão: Respirar com Segurança é Inegociável

A seleção de máscaras respiratórias – EPI é uma ciência, não um palpite. Ela depende diretamente da análise técnica dos riscos presentes no ambiente de trabalho.

Escolher um respirador incorreto, usá-lo sem o treinamento adequado ou negligenciar o teste de vedação (especialmente na presença de barba) anula o investimento feito no equipamento e, pior, expõe o trabalhador a riscos severos de forma silenciosa e cumulativa.

A Itamedi Medicina Ocupacional reforça que a proteção respiratória é um dos pilares da prevenção de doenças ocupacionais. Garantir que sua empresa possua um Programa de Proteção Respiratória (PPR) robusto, com o apoio de profissionais de saúde e segurança, não é apenas uma obrigação legal, é um compromisso com a vida.

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Referências

  • MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO (MTE). Instrução Normativa SSST/MTB nº 1, de 11 de abril de 1994. Estabelece o Regulamento Técnico sobre o uso de equipamentos para proteção respiratória.
  • FUNDACENTRO. Programa de Proteção Respiratória (PPR): Recomendações, Seleção e Uso de Respiradores. 3ª Edição. São Paulo, 2016.

MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO (MTE). Norma Regulamentadora Nº 06 (NR 6) – Equipamento de Proteção Individual – EPI.

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